quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A Secular Age 2

(p.4)
Taylor comenta o facto de os estudos sobre a secularização se centrarem habitualmente na primeira e segunda acepções : deve-se em grande parte ao facto de o cristianismo se definir em termos de afirmações de credo. A secularização tende assim a ser vista como declínio das crenças cristãs, efeito do predomínio de crenças concorrentes : a ciência, a razão ; ou teorias cientificas particulares : a teoria evolucionista e as explicações neuro-fisiológicas do funcionamento mental. Reproduzem esquema de estudante do final do sécc. XIX, que teria afirmado que « Darwin refutou a Bíblia ».
Crença e descrença vistas assim como teorias rivais.Sem negar que as acepções 1) e 2) integram o processo de secularização, Taylor opõe-se, quer à interpretação exclusiva de secularização como subtracção progressiva da religião das várias esferas sociais e 2) declínio da crença religiosa, supostamente em consequência da prevalência de outras crenças. E necessário introduzir uma terceira dimensão 3). A secularização é pois um processo multidimensional, em que as três dimensões estão interligadas.
Na acepção 3, a crença e a descrença não são entendidas de forma puramente intelectual (teorias rivais) mas como formas através das quais as pessoas dão sentido à sua existência, e moralidade. Deus, a natureza, etc. são assim entendidas como formas de dar sentido [horizontes de sentido].
(p.5) O que é viver como crente e o que é viver como não crente ? Difer
entes formas de dar sentido à experiência. (pp. 5-6) Taylor faz o que podemos aqui chamar de fenomenologia dos horizontes de sentido Principais conceitos :
Fullness : a experiência de preenchimento ou exaltação [tradução imperfeita de fullness]
Exile: alienação, medo, angústia
Middle position: posição média; zona estável entre as duas experiências extremas, construída pelas rotinas que contribuem para uma felicidade ordinária mas nunca completa.
Como concebemos, por exemplo, os “lugares de preenchimento” (places of fullness)? Com ou sem referência a Deus?
(p7)
Fenomenologia da posição média para um crente: necessita de contacto regular com o sentido, contacto com “the place of fullness”, e ideia de movimento gradual em direcção a esse lugar.
Para um não crente: a posição média é tudo aquilo que há; ela não se distingue dos lugares de preenchimento; estes não são um “outro lugar” mas identificam-se tendencialmente com a posição média.
(p.8)
Analisarmos as dimensões típicas da vida humana como identificações de fullness, modes of exile and types of middle condition permite-nos compreender crença e descrença como condições de vida e não como conjuntos de crenças ou teorias.
[Taylor constrói assim uma grelha de análise da secularização tridimensional, especificando, na dimensão estrutural, a acepção 3) das condições de crença, três categorias da fenomenologia da vida espiritual. Notar aqui a centralidade da noção de experiência religiosa, que se filia na leitura da obra de William James, tema de publicação anterior de Taylor, e que este estende à experiencia da alienação e da felicidade ordinária].

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