Certas formas de descrença são análogas de visões religiosas na medida em que se baseiam na visão de que as fontes da plenitude (“fullness”) estão algures noutro lado que não na razão: a radical liberdade do agente moral (Kant), na Natureza, ou/e no Eu profundo. Para os heróis da ciência, defensores de um naturalismo rigoroso, elas identificam-se com o exercício da razão.
Em todo o caso, a razão « descomprometida » do Iluminismo criou uma divisão interna ao Homem entre pensar e sentir/ intuição
(p. 12)
No mundo pré-secular, os significados (constructos) morais/ espirituais são vividos como realidade imediata, como montanhas, rios, pedras. Alternativas que enfrentam: aproximar-se ou distanciar-se da plenitude, ser mais devoto ou mais mundano – mas não optar por diferente signficado ou horizonte de plenitude.
Modernidade secular: erosão da certeza imediata.
Saímos de condição em que maioria das pessoas viviam ingenuamente num constructo (“construal”), em parte cristão, em parte pagão, como “a realidade”, para outro em que quase ninguém é capaz disto [excepto os esquizofrénicos?] Navegamos entre duas posições, uma posição “comprometida” (“engaged”) em que vivemos o melhor que podemos a realidade que se nos oferece; e outra “descomprometida” (“disengaged”) em que podemos ver, com recuo, a nossa posição comprometida como uma entre várias possíveis. Reflexividade.
(pp. 12-13)
A sociedade moderna é feita de uma diversidade de “meios sociais”, mas em quase todos predomina a presunção da descrença. Mesmo no caso da se optar pela posição crente, esta funda-se na presunção da descrença.
Ou seja: crer em Deus no ano 1500 e em 2000 é algo de muito diferente.
Porquê? Porque todas as crenças existem num contexto daquilo que é dado por adquirido, o que na filosofia inspirada por Wittgenstein, Heidegger e Polanyi se designa de “background” ou “framework” (a estrutura em que se apoia a crença). As estruturas do passado e as do presente diferem em qualidade. As primeiras são ingénuas e as segundas reflexivas, já que estas vêem a crença à luz da estrutura em que se insere. Aqui os constructos espirituais séao apercebidos como constructos e não vividos de forma “ingénua”.
Taylor fala assim da modernidade como dum um “shift in background”. É esta mudança que permite distinguir “imanente” e “transcendente”, “natural” e “sobrenatural”. A “natureza” é um constructo da modernidade.
(p.14)
Questão histórica: como se passou de uma estrutura “naïve” para uma estrutra “reflexiva”.
(p. 12)
No mundo pré-secular, os significados (constructos) morais/ espirituais são vividos como realidade imediata, como montanhas, rios, pedras. Alternativas que enfrentam: aproximar-se ou distanciar-se da plenitude, ser mais devoto ou mais mundano – mas não optar por diferente signficado ou horizonte de plenitude.
Modernidade secular: erosão da certeza imediata.
Saímos de condição em que maioria das pessoas viviam ingenuamente num constructo (“construal”), em parte cristão, em parte pagão, como “a realidade”, para outro em que quase ninguém é capaz disto [excepto os esquizofrénicos?] Navegamos entre duas posições, uma posição “comprometida” (“engaged”) em que vivemos o melhor que podemos a realidade que se nos oferece; e outra “descomprometida” (“disengaged”) em que podemos ver, com recuo, a nossa posição comprometida como uma entre várias possíveis. Reflexividade.
(pp. 12-13)
A sociedade moderna é feita de uma diversidade de “meios sociais”, mas em quase todos predomina a presunção da descrença. Mesmo no caso da se optar pela posição crente, esta funda-se na presunção da descrença.
Ou seja: crer em Deus no ano 1500 e em 2000 é algo de muito diferente.
Porquê? Porque todas as crenças existem num contexto daquilo que é dado por adquirido, o que na filosofia inspirada por Wittgenstein, Heidegger e Polanyi se designa de “background” ou “framework” (a estrutura em que se apoia a crença). As estruturas do passado e as do presente diferem em qualidade. As primeiras são ingénuas e as segundas reflexivas, já que estas vêem a crença à luz da estrutura em que se insere. Aqui os constructos espirituais séao apercebidos como constructos e não vividos de forma “ingénua”.
Taylor fala assim da modernidade como dum um “shift in background”. É esta mudança que permite distinguir “imanente” e “transcendente”, “natural” e “sobrenatural”. A “natureza” é um constructo da modernidade.
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Questão histórica: como se passou de uma estrutura “naïve” para uma estrutra “reflexiva”.
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